quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Hemoglobinopatia- 4.

Hemoglobinopatia é a alteração da hemoglobina determinada geneticamente e que pode causar anemia.
Sangue
O sangue circula por todo o organismo bombeado pelo coração, transportando os elementos indispensáveis para a vida. O sangue constitui-se de uma parte líquida chamada plasma e de outra representada pelas células. As células são de vários tipos:
  • Glóbulos brancos: responsáveis pelas nossas defesas às infecções.
  • Plaquetas: células que atuam no estancamento das hemorragias.
  • Globulos vermelhos: responsáveis pelo transporte de oxigênio dos pulmões para todo o corpo.
Anemia
A anemia é definida como uma deficiência de oxigenação dos tecidos do organismo, por diminuição da capacidade de transporte de oxigênio pelo sangue. Esta diminuição de transporte ocorre quando há redução do número de glóbulos vermelhos e conseqüentemente, da quantidade de hemoglobina, ou quando há somente redução total da hemoglobina com número normal de glóbulos vermelhos contendo uma concentração menor de hemoglobina.
As causas de anemia são muito numerosas sendo as mais freqüentes a deficiência de ferro por problemas alimentares ou por sangramentos crônicos. Nestes casos, como em algumas outras formas de anemia, o tratamento adequado promove a cura.
Em outras formas de anemia, como as que nos interessam, as hemoglobinopatias, existe uma alteração da formação da hemoglobinopatias por característica hereditária, não sendo possível obter cura com os recursos atuais da medicina.
Hemoglobina
É uma substância complexa, formada por diversas partes. Uma destas partes é constituída de proteínas que são formadas no organismo de cada pessoa. Estas proteínas ligam-se ao ferro presente nos alimentos, formando a hemoglobina. Esta substância formada com ferro e proteínas tem a capacidade de fixar o oxigênio, sendo por isso responsável pelo seu transporte dos pulmões aos tecidos.
Nas hemoglobinopatias a proteína formada é defeituosa e apresenta características anormais. Dependendo da anomalia pode causar ou não, mau funcionamento da hemoglobina ou dos glóbulos vermelhos.
No exame de laboratório chamado eletroferese de hemoglobina, encontramos nas pessoas normais três tipos de hemoglobina: A1, A2 e F (fetal).
Nos portadores de Hemoglobinopatias, podemos encontrar diversos outros tipos, sendo as mais freqüentes as hemoglobinas S, C, D, H e I.
É importante a avaliação da quantidade encontrada de hemoglobina anormal, pois esta quantidade define se o indivíduo é somente portador ou se pode apresentar a anemia como doença. Assim, por exemplo, se um indivíduo tem metade de hemoglobina A e metade de hemoglobina S, ele é somente um portador e não vai apresentar anemia importante tendo vida normal. Outra alteração que pode ocorrer, é no que se refere às quantidades das proteínas formadas para constituição da hemoglobina. Nesta situação, as proporções do tipo A1 e A2 é que ficam alteradas. Esta alteração é chamada de Talassemia ou Anemia do Mediterrâneo.
Herança
As hemoglobinopatias são herdadas dos pais de acordo com o esquema simplificado abaixo, para a hemoglobina S:
1. Se um dos pais é portador
Pai / mãe
A
A
A
AA
AA
S
SA
SA

Pai Mãe Filho

AA
- Normal
SA
- Portador
2. Se ambos são portadores
Pai / mãe
A
S
A
AA
SA
S
SA
SS

Pai Mãe Filho

AA
- Normal
SA
- Portador
SS
- Doente
Expressão Clínica
(Intensidade de Hemoglobinopatia)
A presença de doença (anemia) e outros sintomas, depende da intensidade de hemoglobinopatia e também do tipo de alteração da hemoglobina. Inicialmente, podemos classificar em dois grupos de acordo com o resultado dos exames de laboratório e pelo quadro clínico: doentes (homozigóticos) e portadores (heterozigóticos).
Doentes: São as pessoas que apresentam a hemoglobina anômala em concentrações maiores do que 50% do total da hemoglobina. A característica genética (gene) foi herdada do pai e da mãe, podendo neste caso, serem o pai e a mãe portadores; um doente e outro portador ou os dois doentes. Geralmente existe quadro clínico importante e o diagnóstico costuma ser feito na infância. Esta situação é relativamente rara, atingindo menos que um em cada quinhentos nascimentos.
Portadores: São pessoas que apresentam a hemoglobina anômala em concentrações menores do que 50% do total de hemoglobina. A característica genética foi herdada somente do pai ou da mãe, que neste caso, podem ser pelo menos um deles doente ou portador. As manifestações clínicas podem ser ausentes ou muito raras, e o diagnóstico nem chegar a ser feito, pois não apresentam sintomas que indiquem a realização de exames específicos. Esta situação pode ser esclarecida muitas vezes, quando um familiar apresenta a doença e aí está indicada a realização dos exames nos demais membros da família, ou quando se fazem os exames em toda a população. Atualmente tem sido indicada a realização desse exame em doadores de sangue, o que permite a identificação de numerosos portadores. Esta situação de portador é muito freqüente, podendo atingir de 2 a 5% da população. Estima-se que no Brasil, devam existir pelo menos 4 milhões de portadores.
Manifestações Clínicas
Além da grande diferença existente entre os portadores e doentes, as manifestações clínicas variam com o tipo de hemoglobinopatia. Vamos descrever sumariamente, o que é encontrado em cada tipo, usando como identificação a sigla da hemoglobinopatia e nome do quadro clínico quando houver.
Doentes:
SS - anemia falciforme ou anemia drepanocítica. O paciente apresenta a partir do primeiro ano de idade, anemia de intensidade significativa, icterícia que pode ser confundida com hepatite, dores ósseas e articulares que podem simular reumatismo, crises de dores abdominais, às vezes tão intensas, que confundem com a apendicite e também quadro pulmonares, similares aa broncopneumonia. Os sintomas costumam aparecer em crises agudas relacionadas à presença de infecções, esforço físico excessivo, desidratação, etc. Pode ocorrer também hematúria (sangue na urina) provocada pela Hemoglobina S. Estes pacientes apresentam algumas restrições para atividade física, e devem sempre procurar orientação médica. Com estes cuidados, podem ter na maioria das vezes vida quase normal, inclusive em relação ao trabalho desde que não exerçam atividades físicas intensas.
CC - Anemia por Hemoglobina C. Neste tipo de hemoglobinopatia, o paciente pode não ter manifestações clínicas ou apresentar somente uma anemia leve a moderada e aumento do baço. É totalmente compatível com vida normal, não sendo necessário nenhum tratamento ou limitação de atividades.
SC - Anemia por associação SC. Ocorre quando um dos pais é portador S e outro portador C. O quadro clínico é similar à anemia falciforme porém com intensidade menor. Como característica, esta associação pode levar com mais freqüência a problemas na retina (olho) e, ao contrário da anemia falciforme, é encontrado aumento do baço.
ST- S-talassemia, ou Anemia Micro-Drepanocítica ou Síndrome de Silverstone Bianco. É o resultado da associação da talassemia com portador da anemia falciforme. Os sintomas são semelhantes à anemia falciforme, mas um pouco menos intensos podendo também encontrar aumento do baço.
CT, DD, CD e numerosas outras associações e estados homozigóticos podem ser encontrados, mas de forma muito mais rara e com quadros clínicos inexpressivos ou de importância moderada não cabendo aqui expo-los.
Portadores:
AS - Portador de Traço Falciforme ou estigma falciforme. Nestes casos, podem aparecer, raramente, sintomas similares à anemia falciforme, só que de intensidade acentuadamente menor e também sempre relacionados a situações desencadeantes intensas como por exemplo, infecções graves principalmente pulmonares, anestesia com baixa oxigenação, trabalho em condições de baixa oxigenação, avião despressurizado, grandes altitudes e raramente após exercício físico muito intenso. De maneira geral, este tipo de portador pode permanecer assintomático durante a vida e o diagnóstico só vir a ser feito com exames de Laboratório.
AC, AD, AE, etc. - São portadores totalmente assintomáticos, não apresentando nenhuma anemia ou quadro clínico decorrente da hemoglobinopatia. Esta situação só aparece quando feitos exames de laboratório específicos para este fim e o diagnóstico só importa para fins de orientação para o casamento e filhos.
AT - Talassemia minor, ou portador de Anemia do Mediterrâneo ou de Cooley. Estes portadores apresentam uma alteração no exame de sangue, caracterizada geralmente por aumento dos glóbulos vermelhos e diminuição da hemoglobina e como sinal clínico, encontramos freqüentemente palidez, e às vezes aumento do baço.
Tratamento
Como já foi citado, as hemoglobinopatias não podem ser curadas, porém algumas complicações devem ser tratadas. Nos doentes de anemia falciforme (SS) e da doença SC ou ST, é necessário o uso de ácido fólico e vitaminas do Complexo B, pela necessidade de produção maior número de glóbulos vermelhos. Como estes pacientes podem apresentar diversas complicações que necessitam tratamento específico, recomendamos sempre acompanhamento médico para melhor orientação. Os portadores, na grande maioria dos casos, não necessitam qualquer tratamento, exceto se ocorrerem moléstias associadas.
Recomendações
Aos doentes ou portadores de Hemoglobinopatia, em especial nos casos de Hemoglobina S (AS-SS), recomendamos:
1. Orientar seus parentes a fim de identificar outros portadores.
2. Antes do casamento, o futuro parceiro deve fazer exames para verificar se também não é portador de Hemoglobinopatia.
3. Comunicar ao seu médico que é portador de Hemoglobinopatia nos seguintes casos:
a. Gravidez
b. Antes de qualquer cirurgia com anestesia geral.
c. Se tiver sangue na urina (hematúria)
d. Se tiver problemas pulmonares (broncopneumonia)
e. Não esquecendo também, do pediatra dos filhos
4. No caso de casais, em que ambos sejam portadores, procurar orientação especializada antes de pensar em filhos.
Respostas às dúvidas mais freqüentes
1. As Hemoglobinopatias são contagiosas ou vão se agravar com o passar dos anos?
- Não.
2. São doenças que apareceram agora?
- Não, estas alterações surgem desde o nascimento e estão presentes durante toda a vida.
3. Posso doar sangue?
- Sim, pois do sangue doado, obtém-se vários constituintes: o plasma (administrado a quem tem distúrbios de coagulação), o crioprecipitado (aos hemofílicos), as plaquetas (administradas a quem tem distúrbios plaquetários). Somente os glóbulos vermelhos é que não devem ser administrados, pois a hemoglobina S pode causar agravamento do quadro clínico, a um paciente em choque, ou em ex-sanguineo transfusão. Mas isto não é mais problema, pois os bancos de sangue devem realizar a eletroforese de hemoglobina.
4. Como detectar esta doença em pessoas de minha família?
- Procure o seu médico particular; o serviço médico de seu convênio, ou o posto de saúde mais próximo de sua residência.
Fonte: Centro de Hematologia de São Paulo - 03/2001

Audiência Publica




SENADO FEDERAL
SECRETARIA DE COMISSÕES
COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E LEGISLAÇÃO

PARTICIPATIVA
81ª Reunião Extraordinária da Comissão de Direitos Humanos e Legislação

Participativa, da 1ª Sessão Legislativa Ordinária da 54ª Legislatura,
a realizar-se em 27, de Outubro de 2011, quinta-feira, às 9 horas, Plenário nº 2, Ala Senador Nilo Coelho,

Anexo II, Senado Federal.
PAUTA
(AUDIÊNCIA PÚBLICA)

Audiência Pública,

nos termos do Requerimento nº 134, de 2011–CDH, aprovado em

05/10/11, de autoria do Senador Paulo Paim,
“a fim de debater o Dia Nacional de Luta

pelos Direitos das Pessoas com Doenças Falciformes”.

CONVIDADOS:
-Ministra Luiza Bairros – Ministra da Secretaria de Políticas da Promoção da

Igualdade Racial;
-Arnaldo Alves Nunes – Secretário de Estado de Saúde do Estado do Tocantins;

-Domicio Arruda Câmara Sobrinho - Secretário de Estado de Saúde do Estado do

Rio Grande do Norte;
-Alexandre Barbosa Caio Sotero – Coordenador de Hematologia, Hemoterapia,

SAS e SES, no Distrito Federal – em representação ao Senhor Secretário de Estado

da Saúde do Distrito Federal;
-Isaura Cristina Soares de Miranda – Médica – atuante na área técnica,

Hemorrede, no Estado de São Paulo – em representação ao Senhor Secretário de

Estado da Saúde de São Paulo;
-Elvis Silva Magalhães – Coordenador da Associação Brasiliense de Pessoas com

Doença Falciforme – ABRADFAL; e
-Marcelo dos Santos Monteiro - Presidente do Centro de Tradições Afro-

Brasileiras - CETRAB;

Hemoglobinópatia-Anemia Foiciforme (Continuação)

Hemoglobinópatia-Anemia Foiciforme.
O recurso ao transplante de medula óssea pode representar uma chance de cura para os portadores de anemia falciforme, doença crônica, de fundo genético, prevalente entre os negros. Essa perspectiva favorável foi compartilhada pelo coordenador da Associação Brasiliense de Pessoas com Doenças Falciformes (Abradfal), Elvis Silva Magalhães, em audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) para marcar, nesta quinta-feira (27 de outubro), o Dia Nacional de Luta pelos Direitos das Pessoas com Doenças Falciformes.
Elvis Magalhães é um exemplo do sucesso dessa técnica. Após conviver com sequelas da anemia falciforme - olhos amarelados e pele pálida, ulcerações nas pernas e ereções involuntárias - por 38 anos, ele se livrou do mal, em 2005, ao receber a medula de seu irmão. Atualmente, sua batalha é pela cobertura regular desse procedimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pelo empenho dos governos estaduais em disponibilizar o "teste do pezinho" para detecção precoce da doença.
O presidente do Centro de Tradições Afro-Brasileiras (Cetrab), Marcelo dos Santos Monteiro, está convencido que só a aprovação de uma lei federal específica irá ampliar e tornar efetivas ações de assistência aos portadores de doenças falciformes. A medida será uma das prioridades da campanha "2012: Ano Nacional pela Conscientização das Doenças Falciformes", que terá a cantora Zezé Mota como madrinha.
Aliás, o desconhecimento sobre o problema não livra nem os profissionais de saúde, segundo comentou a ministra da Secretaria de Políticas da Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros. Instituída em 2009 e reforçada com a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, a Política Nacional de Saúde da População Negra ainda precisa avançar na implementação das ações previstas, não só em relação ao controle da anemia falciforme, mas de outros distúrbios (hipertensão, diabetes, mioma) prevalentes entre os negros e que, por isso, exigiriam uma atenção especial a esse segmento.
Medidas
Medidas específicas vinculadas às áreas de atuação dos Ministérios do Trabalho, do Esporte e da Previdência Social também foram reivindicadas. Segundo explicou a representante da Federação Nacional das Associações de Doenças Falciformes (Fenafal), Ana Palmira, a luta dos portadores é pela proteção à empregabilidade, já que as crises constantes e permanentes desencadeadas pela disfunção os tornam vulneráveis a demissões. Na linha previdenciária, cobrou a concessão de benefício de prestação continuada não apenas em caso de desenvolvimento de sequelas graves.
A reinserção dessa parcela da população no mercado de trabalho também foi uma preocupação demonstrada pela médica Isaura Cristina Soares de Miranda, representante da Secretaria de Saúde de São Paulo. Ela também pediu apoio ao Ministério do Esporte para a viabilização de hidroterapia em piscinas públicas, atividade destinada a melhorar a qualidade de vida do paciente.
Esforços
De acordo com o senador Paulo Davim (PV-RJ), oito dos 27 estados brasileiros ainda não incluíram a pesquisa da anemia falciforme no teste do pezinho. Esse não é o caso do Distrito Federal, Rio Grande do Norte, de São Paulo, Alagoas, cujos representantes das secretarias estaduais de saúde se fizeram presentes na audiência da CDH e sustentaram que, apesar das dificuldades, têm se empenhado para atender aos portadores da anemia falciforme via diagnóstico pelo teste do pezinho, fornecimento de medicação e realização de transplante de medula óssea.
Além de Paulo Davim e do autor do requerimento de debate e presidente da CDH, senador Paulo Paim (PT-RS), os senadores pelo PT Eduardo Suplicy (SP), Marta Suplicy (SP) e Wellington Dias (PI) manifestaram preocupação quanto à maior assistência do poder público aos portadores de doenças falciformes.
Simone Franco / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Assuntos Relacionados:Direitos Humanos , Esporte , Estatuto , Igualdade Racial , Negros , Previdência , Saúde , Transplante.


Pouca atenção a anemia falciforme

Hemoglobonópatia - Anemia Foiceforme.

Ainda desconhecida para a maioria da população, a doença falciforme é hereditária e atinge principalmente a população de origem negra. O Ministério da Saúde estima que, a cada ano, nasçam cerca de três mil crianças com a doença no Brasil. Ao discutir o assunto, em audiência realizada pelo Senado nesta quarta-feira (24), a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) defendeu a criação de um cadastro nacional que permita ações governamentais e acompanhamento médico mais adequados. Além disso, outros participantes afirmaram que a demora do governo em priorizar a questão nas últimas décadas foi reflexo do "racismo institucional".
A doença falciforme afeta as hemoglobinas, proteínas que estão presentes nos glóbulos vermelhos do sangue. Ao serem afetadas, essas células perdem sua forma arredondada, assumindo um formato que lembra uma foice. A dor e a anemia estão entre os diversos sintomas da doença, que pode levar à morte. Embora incurável, a doença pode ter os seus sintomas tratados.
Coordenadora da Política de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme do Ministério da Saúde, a médica Joice Aragão de Jesus destacou que a enfermidade atinge uma parte da população que já é mais vulnerável, "mais pobre, que não tem acesso a uma série de serviços e com menor grau de escolaridade", como o demonstram dados do IBGE e da Secretaria de Vigilância em Saúde". O estado com maior incidência é a Bahia, seguido de Rio de Janeiro, Pernambuco, Maranhão e Minas Gerais.
- É preciso uma campanha de conscientização para que as pessoas saibam que essa doença tem tratamento e que se pode conviver com ela - acrescentou a atriz Zezé Motta, que já foi superintendente da Secretaria da Igualdade Racial do Estado do Rio de Janeiro.
De acordo com o Ministério da Saúde, a letalidade para crianças com a doença, até os cinco anos de idade, é de 80% quando não há tratamento algum e de 1,8% quando há o tratamento. Para reduzir esses números e propiciar mais qualidade de vida para quem tem a enfermidade, a senadora Lídice da Mata defende a criação de um cadastro nacional, já que os dados sobre a doença no país ainda são precários.
Teste do pezinho
Também foi apontada durante a audiência a importância da triagem neonatal - mais conhecida como teste do pezinho - para o diagnóstico precoce da enfermidade. Isso permite que a doença, apesar de incurável, seja tratada de forma adequada logo que a criança nasce, evitando uma série de problemas, inclusive a morte. Além disso, o teste do pezinho poderia ser utilizado para "alimentar" o cadastro nacional proposto na audiência.
Segundo Joice Aragão de Jesus, do Ministério da Saúde, 18 estados já oferecem gratuitamente o teste do pezinho para a doença falciforme, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Nos outros estados o teste gratuito existe, mas não inclui essa enfermidade entre as doenças diagnosticadas.
Joice observou que a doença falciforme não é suficientemente conhecida mesmo entre os profissionais do SUS e que só passou a ser pensada de forma mais estruturada pelo Ministério da Saúde a partir de 2004. Assim como outros participantes da reunião, ela disse que uma das principais dificuldades no tratamento da doença é a articulação com os gestores de saúde nos estados (o que inclui os secretários estaduais do setor).
Racismo institucional
Para Anhamona Silva de Brito, representante da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, órgão vinculado à Presidência da República, o "racismo institucional" é uma das razões que explicam por que o governo demorou tanto a priorizar, em suas políticas públicas, uma doença que afeta parcela significativa da população. O mesmo argumento foi apresentado por Altair Lira, coordenador geral da Federação Nacional das Associações de Doenças Falciformes.
- É uma doença que foi descoberta há um século. E um século depois não se sabe exatamente o que é. Isso comprova o racismo institucional que há na saúde - disse Altair, que é pai de uma menina portadora da doença.
Já Zezé Mota, ao lembrar de seus esforços para divulgar a questão na mídia, contou que chegou a contatar a produção de programas da Rede Globo como Fantástico, Globo Repórter e Mais Você (apresentado por Ana Maria Braga), sem sucesso. Segundo ela, "não houve vontade nem interesse". Mas, após conversar com Miguel Falabella, o assunto foi abordado na telenovela Negócio da China (escrita por ele e transmitida pela Globo entre 2008 e 2009) e, em 2010, no programa Sem Censura, da TV Brasil.
- A repercussão foi maravilhosa - declarou a atriz e ex-superintendente da Secretaria da Igualdade Racial do Estado do Rio de Janeiro.
Solicitada pelos senadores Lídice da Mata, Paulo Paim (PT-RS) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), a audiência desta quarta-feira foi promovida pelas comissões de Assuntos Sociais (CAS) e de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).